quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A "MÍSTICA" DA INTELIGENCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (ISP)

George Felipe de Lima Dantas
Considerações sobre a "mistica" da Inteligência de Segurança Pública remetem a questão da Análise Criminal e da ISP ao domínio de uma nova (em aparentemente óbvia oposição a uma "antiga") "cultura de gestão do conhecimento". É referência nessa área a pesquisa acadêmica do Professor Mestre em Ciência Celso Moreira Ferro Júnior (ex-agente e ex-delegado da PCDF, atualmente advogado com prática em Brasília). A referência específica ao trabalho de Ferro Júnior (dissertação de mestrado na Universidade Católica de Brasília - Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação) consta na web. Tive a oportunidade de examinar o trabalho do Professor Ferro Júnior "em banca" e com isso adquirir algum conhecimento e compreensão sobre esse tema tão atual e sempre tão polêmico.
Realmente existe (e/ou existiu) uma "mística da ISP", em que ao menos alguns conhecimentos por ela tratados, ao extremo da totalidade deles, devessem ficar circunscritos a um determinado "círculo de 'iniciados'".
A mística referida parece advir de "outros tempos" em que os produtores de ACT [Análise Criminal Tática (ACT), considerando a também existência de uma Análise Criminal Estratégica (ACE)], bem como os objetos da ACInv [Análise Criminal Investigativa (ACInv), considerando a também existência de uma Análise Criminal de Inteligência (ACI)] estivessem todos eles (analistas e produtos/temas substantivos) vinculados e comprometidos com outros ideais e valores, quiçá distintos dos ideais e valores dos atuais operadores da segurança pública.
É importante notar também que, em qualquer conjuntura histórica (incluindo a do contexto a que referimos a ISP no "aqui e agora"), o significado da expressão "Inteligência" se apresentará em uma trilogia em que o termo alternativamente representará (i) um método, (ii) uma estrutura administrativa/"órgão" (caso de uma Agência de Inteligência -- AI) ou, (iii) um produto/"documento" (caso dos atuais Relatórios de Inteligência -- "RelInts").
É possível mistificar certas "estruturas administrativas" e/ou seus "produtos", considerando a trilogia acima referida. Mas parece impossível poder fazer o mesmo com referência a um "método". O método a que refiro é uma "entidade intelectual" e, por isso mesmo, em sua utilização, pode ser aplicado por qualquer um, independente da estrutura administrativa de pertencimento de quem o aplica ou da formalidade que se empreste ao objeto ou documento por ele produzido.
A obra de Umberto Eco -- "O Nome da Rosa" – é bastante emblemática da independência que pode ter o operador de um método investigativo, mesmo em oposição a outros operadores, tão empoderados quanto foram os inquisidores medievais... Não é por outra razão que hoje toma corpo uma "Inteligência Corporativa", "Inteligência Empresarial" ou como quer que se possa chamar uma atividade que tem no "método" sua interface com a "Inteligência Clássica" ou "Inteligência de Estado".
Tudo isso escrito e aqui posto, retornamos a questão da "mística" da Inteligência de Segurança Pública, para sugerirmos que o "método" da AC/ISP, tanto enquanto "entidade intelectual" (livre para utilização por qualquer um que possa compreendê-lo e dele fazer uso) quanto pela sua necessidade para o encaminhamento dos graves problemas atuais de segurança pública do país (incluindo a realização futura no país de dois mega-eventos internacionais -- em 2014 e 2016), é algo possível e comprovadamente efetivo e necessário -- independente de outras variáveis -- incluindo má lembranças de um tempo que já passou...
Prof.Doutor George Felipe de Lima Dantas
(61) 3393-6468 e/ou 9952-6290

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CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.