segunda-feira, 2 de julho de 2012

A COGNIÇÃO POLICIAL

Cognição é o elemento propulsor da organização na implementação de processos sistêmicos e continuados de coleta da informação, considerando neste aspecto a aplicação de tecnologia da informação que facilita a interpretação e a construção do conhecimento. Prosbst, Raub e Kai (2002) apontam que, ao contrário de fazer distinções nítidas entre dados, informações e conhecimento, pode ser mais útil colocá-los em uma série contínua, com os dados em uma extremidade e o conhecimento na outra.
Assim é que sinais esparsos de dados e informações reúnem-se para formar padrões cognitivos sobre os quais as ações podem basear-se. As habilidades e o conhecimento são adquiridos gradualmente, desenvolvendo-se ao longo do tempo e por intermédio de um processo em que somas de informações são reunidas e interpretadas. Tal processo pode ser definido como uma progressão ao longo de um contínuo de dados, passando por informações, elaboração do conhecimento e a Inteligência da organização.
Segundo Hayes e Allinson (1994) a cognição está relacionada à forma como as pessoas adquirem, armazenam interpretam e utilizam o conhecimento. Portanto, cognição é busca, processamento e utilização de informações, que gera um significado efetivo para a organização.
Na atividade investigativa ou preventiva a cognição é um processo mental humano dos profissionais associado à análise e ao processamento da informação para resolução de problemas e tomada de decisão. São processos desenvolvidos pela organização no tocante à busca da verdade real sobre um crime ou um fenômeno, identificação de padrões, tendências, projeções. Pela captação de dados e organização de informações em bancos de memória, realizam diagnósticos e prognósticos, produzindo conhecimento sobre as situações mais complexas do ambiente social.
A cognição está relacionada aos métodos ou procedimentos envolvidos na organização policial para ser elemento impulsionador de processos sistêmicos e continuados de coleta da informação, análise e síntese, e com a tecnologia da informação, facilitar a construção do conhecimento pertinente na atividade policial.
A infra-estrutura tecnológica que apóia a estrutura de fontes de informação amplia a capacidade de obtenção da informação, que no contexto mais genérico, significa aumentar a capacidade de gerir informação significativa e construir conhecimento. Isto promove uma visão da organização mais aberta para acesso à informação. A ênfase está na agilidade, rapidez e distribuição. A tecnologia da informação oferece coordenação e ambiente para o envolvimento de pessoas e setores em rede realizando inúmeras funções, que antes, departamentos costumavam fazer apenas poucas funções de forma centralizada.
[1] PROSBST, Gilbert; RAUB, Steffen; KAI, Romhardt. Gestão do Conhecimento: os elementos construtivos do sucesso. Editora Bookman. 2002.
[2] HAYES, J e ALLINSON, C.W. Cognitive style and its relevance for management practice. British Journal of Management, vol. 5, n.1,p.53-71,1994.

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CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.