segunda-feira, 2 de julho de 2012

O QUE É INTELIGÊNCIA POLICIAL


Instituições policiais modernas precisam estar dotadas de inteligência, ter infraestrutura tecnológica e investir na qualificação de agentes.  São organizações que atuam num ambiente de excesso de informações, e quase sempre, necessitam empregar algum método de análise. Isto significa dizer que devem possuir a capacidade de interpretação de grande quantidade de dados, extraindo significados diante de muitos nós e evidências. A atividade investigativa tem que estar apta a enxergar através da nebulosidade gerada pelo volume de informações e sentir confiança na tomada de decisões, principalmente quando se depara com atividades ilegais, cuja variedade de ações delitivas demonstra complexidade no crime.
A análise de Inteligência, realizada simultaneamente com a análise investigativa, se desenvolve pela exploração e/ou mineração de grandes bases de dados (oriundas da quebra de sigilo inclusive), proporcionando em proveito, o estabelecimento de evidências por meio da visualização das entidades relacionadas. Isso vem trazendo resultados bastante positivos  em casos complexos de corrupção,  fraudes, crimes financeiros e em geral nos crimes contra a administração pública.
É como visualizar um sistema nervoso humano. “O sistema nervoso biológico dispara reflexos para que possamos reagir rapidamente ao perigo ou à necessidade”. Ele nos dá muitas informações de que precisamos enquanto consideramos as alternativas e fazemos escolhas. Na investigação do crime complexo é como visualizar o sistema nervoso, analisando o fluxo dos delitos, conexões das ações ilegais, condutas etc.
No campo da antecipação, a Inteligência Policial (INP) é um conjunto de procedimentos realizados visando o controle efetivo do crime, ou seja, reagindo com oportunidade. Consiste num processo dinâmico que permite em perceber o desenvolvimento do crime, realizar prognósticos e planejar as respostas. A INP é um conjunto de atividades altamente especializadas, como suporte operacional. De forma sistêmica, faz uso de tecnologias modernas e métodos de produção de conhecimento, auxilia a decisão na investigação criminal e dá assistência na formação das provas.
Nas organizações policiais modernas a INP refere-se substancialmente à atividades de prospecção e monitoramento informacional, que são fundamentais e indispensáveis para a compreensão dos casos complexos. Através da prospecção informacional é possível estabelecer uma estrutura das fontes de informação, que proporciona um conhecimento significativo do fato para prever os próximos movimentos do crime.
A INP monitora informações oriundas do ambiente para se antecipar aos eventos criminais. O monitoramento do ambiente, a produção de informação e atuação sistêmica da inteligencia está diretamente relacionada a capacidade de antecipação. 
A informação também é considerada um fator estruturante e um instrumento básico para a gestão policial, portanto, a gestão efetiva da informação na organização policial requer a percepção objetiva e precisa do seu valor e a precisão dos sistemas de informação.
Considerando que a informação é a matéria prima da INP são necessários cumprir etapas fundamentais na prospecção e monitoração informacional para que seja eficaz. São elas: i) identificação das necessidades (quais assuntos devem ser monitorados e pertinência); ii) obtenção (eletrônica inclusive) pela coleta, recepção e produção; iii) tratamento (formatação, estruturação, classificação, análise, síntese); iv) distribuição (por meio da rede de conhecimento) critérios para seu fluxo Interno, externo, formal e informal; v) uso (que confere a possibilidade de combinação, credibilidade e oportunidade); e vi) reuso, (considerando nesse aspecto o processo de retroalimentação do conhecimento, possibilidade de recuperação e armazenamento).
A INP facilita a execução da gestão estratégica da informação em busca de significado (utilização do conhecimento em prol das ações institucionais). O significado da informação significa dizer que a informação pertinente deve fluir no ambiente e ser assimilada para permitir a ação policial no campo administrativo, operacional e estratégico. Por meio da estrutura da organização o processo direciona o fluxo da informação permitindo a construção do conhecimento. Nesse sentido a informação precisa estar dotada de pertinência, relevância e propósito.
Por intermédio da INP, organizações policiais buscam obter o chamado “poder de antecipação”, na lida com a evolução de um dos problemas mais cruciais que afligem a sociedade moderna, o delito violento, a corrupção e a atuações de organizações criminosas. A INP desenvolve um conjunto de ações que auxilia na determinação de padrões e tendências, descoberta de informações ocultas, em grandes bases agregadas de dados nacionais, regionais e locais, depositárias de registros de ocorrências do fenômeno do crime e da violência.

3 comentários:

Quemel disse...

Caro Dr. Celso Ferro, salve!

É Quemel!

Segue link para meu blog:

VÃO SOLTAR O SIMBA
http://www.quemel.blog.br/2012/07/vao-soltar-o-simba

Bração e boa $orte,
Quemel

wellington disse...

Nobre Dr.Celso Ferro,se possível, dissertar no que concerne a inteligência policial, entendimento, aplicações e resultados visualizados, para uma melhor compreenção.Desde já agradeço a oportunidade,grato.

Victor Mendes disse...

Realmente muito bom o texto, conseguiste transformar algo extremamente complexo, em um conteúdo de fácil compreensão inicial. Em breve pretendo um maior contato com o estudo da inteligencia policial, em minha opinião é algo fundamental para o sucesso de uma carreira policial.

Um abraço.

Victor Mendes

CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado

Consultor em Segurança, Análise de Riscos, Inteligência e Contra-inteligência.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal Aposentado.

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do
Distrito Federal.
Curso de Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento
de Operações de Inteligência. ABIN. 2000.
Curso de Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.