segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A INTELIGÊNCIA POLICIAL

Ao pensarmos em Atividade de Inteligência (AI) na organização policial remetemo-nos imediatamente à idéia de capacidade de monitorar informações do ambiente para responder aos problemas, desafios e oportunidades que se apresentam continuamente. Por meio de um conjunto de procedimentos analíticos, operacionais e sistemáticos a AI gera um processo contínuo de produção do conhecimento, e, pode-se dizer, que este produto visa principalmente auxiliar a proposição de políticas, a formulação de estratégias e a visualização da complexidade.
O crime é um fenômeno complexo e está em constante mudança. A eficiência, a rapidez dos sistemas de comunicação, transportes e o acesso à informação, são condições que facilitam a atuação dos criminosos. Estes fatores vêm modificando a estrutura do crime, na sua acepção mais contextual, de várias relações e funções de diversos grupos, cujas junções, engrenagens e interligação de inúmeros delitos, caracterizam por si só, um quadro de complexidade, e conseqüentemente demanda uma compreensão diferenciada daquela comumente observada por processos ordinários de cognição policial.
Nesse sentido, cabe dizer, que o setor Inteligência Policial não é um aglomerado de experts, mas sim, um conjunto de profissionais que desenvolvem ações especializadas com uso de ferramentas sofisticadas. Atualmente, a tecnologia de Análise Vínculos (i2) e os processos de apreciação, com potencial analítico temporal e espacial dos fenômenos, são aspectos que confirmam a AI policial como uma área essencial. É possível afirmar ainda que a AI tem como objetivo principal gerar inovação e minerar informações para a organização atuar na dinâmica dos fatos, considerando neste aspecto, o conjunto de condições materiais, culturais, psicológicas e morais que envolvem a sociedade atual.
A Atividade de Inteligência tem que estar na mente dos gestores da organização policial, assim como a habilidade de administrar (trabalhar) a informação.
A importância da informação para as organizações policiais é evidente e constitui a sua mais primordial  matéria prima, cuja gestão eficiente está diretamente relacionada ao sucesso. A informação também é considerada por muitas organizações, um fator estruturante, portanto, requer a percepção objetiva dos elementos essenciais que compõe sua organização: estrutura, (tecnologia, pessoal e rede); processo de distribuição (visão global dos segmentos, interatividade e integração); e produto (capacidade de resposta e produção em tempo real).
O AI como gestão da informação, é estratégica, ao proporcionar um processo de assimilação e acomodação do sistema, é dinâmica, devido sua atuação direta no diagnóstico das mudanças do ambiente e, é sistêmica, quando seu produto se propaga pela organização e provoca ajuste nas ações e aprendizagem coletiva nos métodos de produção do conhecimento.
Finalmente a AI na organização policial favorece um comportamento adaptativo dos componentes quando alteram ou modificam procedimentos necessários para redirecionar ações, e, impulsiona a ação organizacional para a atualização de processos, diante da necessidade de adaptação às mudanças, complexidade e sofisticação do mundo. A Inteligência Policial é uma área que precisa estar em constante evolução, receber contínuos investimentos e dotado de recursos humanos especializados.

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CELSO MOREIRA FERRO JÚNIOR

Advogado OAB/DF

Consultor em Segurança, Inteligência e Contrainteligência Empresarial.

Delegado de Polícia
Civil do Distrito Federal (Aposentado).

Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação na Universidade Católica de Brasília.
Pós-graduação (Especialista) em Gestão de Tecnologia da Informação na Universidade de Brasília UNB;
Pós-graduação (Especialista) em Inteligência Estratégica UNIEURO.
Pós-graduação (Especialista) em Polícia Judiciária na APC/UCB;
Graduação em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, atual UDF, 1987.

Formação Complementar
Advanced Management Course - International Law Enforcement Academy. EUA. 2007.
Advanced Course Inteligence - IMI, Israel. 2002
Curso Superior de Polícia. Academia de Polícia Civil do Distrito Federal.
Operações de Inteligência. Vertente: Planejamento. ABIN. 2000.
Procedimentos de Inteligência. Vertente: Análise.
ABIN. 2001.
Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra ADESG/UNB

Concentração de Estudos em Gestão do Conhecimento, Ciência da Informação, Inteligência Policial, Inteligência Tecnológica, Interceptação Telefônica e Ambiental, Cognição Investigativa, Análise de Vínculos e Inteligência Organizacional.

Autor dos Livros “A Inteligência e a Gestão da Informação Policial”, Editora Fortium, e, “Segurança Pública Inteligente” Editora Kelps.

Conferencista em vários Seminários e Eventos Nacionais e Internacionais sobre Segurança Pública. Palestrante e docente em diversos cursos de formação de agentes de segurança pública e em diversas Instituições de Ensino Superior (IES), mais recentemente do Núcleo de Estudos em Defesa, Segurança e Ordem Pública (NEDOP) do Centro Universitário do Distrito Federal (UniDF). Diretor Científico Adjunto do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM.

Coordenou e executou na Polícia Civil Distrito Federal importantes projetos na área de Tecnologia e Inteligência.

Comandou as ações Repressão ao Crime Organizado, Inteligência Policial, Operações Especiais, Repressão a Sequestros, Crimes Contra a Administração Pública, Crimes Tecnológicos, Análise Criminal, Planejamento e Logistica Operacional, Comunicação Organizacional, Controle de Armamento, Munições e Explosivos, Operações Aéreas e Delegacia Eletrônica.