17 setembro 2010

INTELIGÊNCIA POLÍTICA

FERRO JÚNIOR, Celso Moreira e
SEIXAS, Acyr Pitanga

A atividade de Inteligência é antecipação . Objetiva disponibilizar uma visão ampla e detalhada de cenários com vistas ao assessoramento de um processo decisório. A Política por sua vez, é a arte ou ciência da organização, direção e administração de Estados e a aplicação desta arte aos negócios internos e externos do governo. Atualmente a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.
Nesse contexto, considera-se Inteligência Política, a atividade dinâmica de assessoramento para a tomada de decisões no âmbito político. Desenvolve-se basicamente pela prospecção de dados e informações que, reunidos, organizados, analisados e interpretados, possibilitam a formação de conhecimento consolidado. É um trabalho indispensável para instrumentar o processo político de seus líderes e agentes partidários de coordenação política.
O método da Inteligência Política contém as seguintes atividades e ações:
a) Análise e diagnóstico das relações e vínculos políticos; b) Antecipação de fatos e situações que ocasionem comprometimento político; c) Identificação de ameaças, traições e atos insidiosos de qualquer natureza; d) Neutralização de ações adversas à integridade da imagem institucional do líder político; e) Recrutamento de colaboradores como fontes de informação; f) Inserção de recursos humanos em atividades de campanha política; g) Monitoração e acompanhamento de eventos e reuniões públicas, e h) Gerenciamento de crise de imagem.
O gerenciamento de crise de imagem é um trabalho de intensa relação com fontes de informação e a mídia. Visa preservar a imagem de uma pessoa ou empresa no decorrer, ou antes, de uma crise. Considera a redução de perdas no momento em que ocorre uma situação de ameaça ou ações que podem causar danos à imagem do político ou legenda, bem como, comprometer seriamente a integridade e ferir reputações.
O trabalho envolve o monitoramento da imprensa em geral e a coleta de informações. A sua análise provê um diagnóstico para definir o caminho a ser seguido. Os profissionais que atuam nesta área estabelecem estreito relacionamento com a mídia, possuem expertise em análise de conjuntura política e capacidade de obtenção de informações.
O gerenciamento de imagem de líderes, agentes partidários e de coordenação política tem como objetivo a construção de uma imagem positiva. As seguintes medidas são aplicadas:
a) Fixação de conceito de imagem e reputação; b) Avaliação de riscos e vulnerabilidades políticas; c) Análise e aferição da credibilidade; d) Identificação de fatores que causam e/ou aumentam o risco da crise; e) Elaboração de um projeto e programa de enfrentamento da crise; f) Divulgação de notas, artigos e matérias; g) Orientações para aprimoramento do comportamento em entrevistas, e h) Orientação nas apuração dos profissionais de área de imprensa.
O gerenciamento de crise política apóia-se na capacidade de antecipação de acontecimentos (atividade de inteligência). Por sua vez, assessora no estabelecimento de acordos e alianças políticas, bem como entendimentos com a imprensa sobre a imagem do cliente.
O potencial da atividade de inteligência política também está na estrutura tecnológica de armazenagem, recuperação e reutilização de informações. Neste aspecto, considera-se uma faixa temporal extensa para facilitar a busca de conhecimento em vários períodos memoriais de campanhas políticas. A implementação destes processos, com pessoal especializado, aumenta a capacidade de produção de informação com significado , e potencializa o produto por meio da interpretação do grande volume de informações em fontes variadas.
Profissionais que atuam em Inteligência Política devem possuir habilidades na produção de conhecimento, de forma oportuna, e em condições de realizar diagnósticos, com identificando padrões, tendências de fatos e situações de interesse dos políticos.
De acordo com Alan J Simpson a Inteligência Política olha para o conjunto de cenários, tendências e padrões. As análises para os clientes são confidenciais. Muito pouca inteligência política é publicada na Internet. A verdadeira inteligência é tão valiosa quanto a ser limitada em circulação, mantendo seu valor na preservação do conteúdo e sigilo.
A Inteligência Política é focada nas necessidades do cliente. O processo de coleta diária de notícias, relatórios e comunicados de imprensa e o seu acompanhamento é determinado pela cenário atual. Muito poucas operações cobrem tudo o tempo todo. Os atores políticos são especialistas em poluição da mídia, especialmente a eletrônica, com informações falsas e enganosas de opinião. Este material, facilmente obtido, não é adequado para tomada de decisões políticas.
A Inteligência Política é uma atividade muito procurada. Contudo, poucos são os profissionais especializados e que nela atuam de forma abrangente. Ninguém pode prever com certeza absoluta os efeitos das forças políticas de um adversário sem o uso de ações específicas de Inteligência. Analistas podem reduzir riscos ao fazer previsões com base no que é conhecido sobre as tendências políticas e pesquisas. Porém, sem a aplicação de medidas especiais de inteligência o resultado fica mais próximo da incerteza, com possibilidade de erros e estratégias deficientes.
São raros os profissionais e empresas especializadas no ramo. A TrueSafety Ltda., http://www.truesafety.com.br/ sediada em Brasília, com atuação nacional, oferece consultoria em Inteligência Política. Sua atuação contempla os métodos e conceitos aqui descritos. Além disso, detém elevada capacidade de monitoramento de volume qualificado de informações (análise de vínculos i2), mineração sistemática em fontes abertas , uso de alta tecnologia na prospecção de Informações, bem como possui profissionais altamente qualificados.
O Profissional da Informação em Atividades de Inteligência Competitiva. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/viewFile/2477/4145. Acesso em 11/09/2010.
Definição de Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Política#Poder_pol.C3.ADtico. Acesso em 17/08/2010.
Gerenciamento de Crise de Imagem da Lush Brasil. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sudeste2008/expocom/EX9-0341-1.pdf. acesso em 14/09/2010.
A Inteligência Organizacional, Análise de Vínculos e a Investigação Criminal. Disponível em: http://www.bdtd.ucb.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=746. Acesso em: 16/09/2010.
What is Political Intelligence? Disponível em: http://www.comlinks.com/polintel/pi080103.htm. Acesso em 15/09/2010.
Fontes abertas e Inteligência de Estado. Agencia Brasileira de Inteligência. Disponível em: http://www.abin.gov.br/modules/mastop_publish/?tac=Fontes_abertas_e_Intelig%EAncia_de_Estado. Acesso em 16/09/2010.

02 setembro 2010

A "MÍSTICA" DA INTELIGENCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (ISP)

George Felipe de Lima Dantas
Considerações sobre a "mistica" da Inteligência de Segurança Pública remetem a questão da Análise Criminal e da ISP ao domínio de uma nova (em aparentemente óbvia oposição a uma "antiga") "cultura de gestão do conhecimento". É referência nessa área a pesquisa acadêmica do Professor Mestre em Ciência Celso Moreira Ferro Júnior (ex-agente e ex-delegado da PCDF, atualmente advogado com prática em Brasília). A referência específica ao trabalho de Ferro Júnior (dissertação de mestrado na Universidade Católica de Brasília - Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação) consta na web. Tive a oportunidade de examinar o trabalho do Professor Ferro Júnior "em banca" e com isso adquirir algum conhecimento e compreensão sobre esse tema tão atual e sempre tão polêmico.
Realmente existe (e/ou existiu) uma "mística da ISP", em que ao menos alguns conhecimentos por ela tratados, ao extremo da totalidade deles, devessem ficar circunscritos a um determinado "círculo de 'iniciados'".
A mística referida parece advir de "outros tempos" em que os produtores de ACT [Análise Criminal Tática (ACT), considerando a também existência de uma Análise Criminal Estratégica (ACE)], bem como os objetos da ACInv [Análise Criminal Investigativa (ACInv), considerando a também existência de uma Análise Criminal de Inteligência (ACI)] estivessem todos eles (analistas e produtos/temas substantivos) vinculados e comprometidos com outros ideais e valores, quiçá distintos dos ideais e valores dos atuais operadores da segurança pública.
É importante notar também que, em qualquer conjuntura histórica (incluindo a do contexto a que referimos a ISP no "aqui e agora"), o significado da expressão "Inteligência" se apresentará em uma trilogia em que o termo alternativamente representará (i) um método, (ii) uma estrutura administrativa/"órgão" (caso de uma Agência de Inteligência -- AI) ou, (iii) um produto/"documento" (caso dos atuais Relatórios de Inteligência -- "RelInts").
É possível mistificar certas "estruturas administrativas" e/ou seus "produtos", considerando a trilogia acima referida. Mas parece impossível poder fazer o mesmo com referência a um "método". O método a que refiro é uma "entidade intelectual" e, por isso mesmo, em sua utilização, pode ser aplicado por qualquer um, independente da estrutura administrativa de pertencimento de quem o aplica ou da formalidade que se empreste ao objeto ou documento por ele produzido.
A obra de Umberto Eco -- "O Nome da Rosa" – é bastante emblemática da independência que pode ter o operador de um método investigativo, mesmo em oposição a outros operadores, tão empoderados quanto foram os inquisidores medievais... Não é por outra razão que hoje toma corpo uma "Inteligência Corporativa", "Inteligência Empresarial" ou como quer que se possa chamar uma atividade que tem no "método" sua interface com a "Inteligência Clássica" ou "Inteligência de Estado".
Tudo isso escrito e aqui posto, retornamos a questão da "mística" da Inteligência de Segurança Pública, para sugerirmos que o "método" da AC/ISP, tanto enquanto "entidade intelectual" (livre para utilização por qualquer um que possa compreendê-lo e dele fazer uso) quanto pela sua necessidade para o encaminhamento dos graves problemas atuais de segurança pública do país (incluindo a realização futura no país de dois mega-eventos internacionais -- em 2014 e 2016), é algo possível e comprovadamente efetivo e necessário -- independente de outras variáveis -- incluindo má lembranças de um tempo que já passou...
Prof.Doutor George Felipe de Lima Dantas
(61) 3393-6468 e/ou 9952-6290

02 julho 2010

INTELIGÊNCIA DE FONTES ABERTAS

George Felipe de Lima Dantas e
Celso Moreira Ferro Júnior
Existe uma “nova maneira antiga” de produzir informação de significação estratégica, sob a norma de conhecimento de valor político, econômico, social, militar e até mesmo civil, tanto na atividade comercial quanto de marketing político. Tal fenômeno transcende os conceitos clássicos do que seja informação e respectiva atividade de inteligência (“’espionagem civil’ em um novo século”?). Seria o caso de uma “Nova Inteligência da Era da Informação”? – Parece que sim...
É isso que ocorre quando grandes quantidades de dados e informações, profusamente produzidos, transmitidos e hoje disponíveis na chamada “Era da Informação”, passaram a poder ser reunidos, organizados, “colados” e analisados, do que resulta um conhecimento que servirá para instrumentar o processo decisório, tanto de agentes do setor público quanto privado.
Essa “Nova Inteligência da Era da Informação” abarca novos conceitos, incluindo o de “Inteligência de Fontes Abertas” (IntelFA). Ela é uma forma de gestão do conhecimento, com a coleta de informação e conseqüente produção de conhecimento (atividade conhecida e mistificada glamourosamente quando se utiliza de meios encobertos/clandestinos para obter o chamado “dado negado”…), mas que hoje pode envolver, e tão somente encontrar, selecionar e adquirir informação de fontes de acesso público, depois processada em conhecimento de valor preciso, útil e oportuno para diversas finalidades públicas e privadas pré-determinadas.
A expressão “Fonte Aberta”, em conotação com a IntelFA, não tem nenhuma relação com a mesma expressão quando utilizada no contexto da Tecnologia da Informação. Com tal significação, a mesma expressão -- “fonte aberta” -- indica que um determinado produto informacional não está “fechado” em termos de preservação de segredos da sua arquitetura e funcionalidade lógica (algoritmos inclusive) e propriedade intelectual correspondente.
A IntelFA tem como “matéria prima” vários tipos de informações. Ela pode valer-se de fontes midiáticas, circunstância em que sua matéria prima para processamento estará disponível originalmente em jornais, revistas, programas de televisão e de rádio, ou contida em outros tipos de fontes jornalísticas hoje existentes no ambiente virtual da rede mundial de computadores.
A IntelFA também pode valer-se de material proveniente do mundo virtual, sem que ele seja, entretanto, midiático. É esse o caso em relação a produtos das modernas "comunidades sociais", em suas diferentes expressões. Uma característica marcante de tal tipo de fonte é o fato dele ser “de conteúdo gerado pelo próprio usuário”. É esse o caso das redes sociais, sítios pessoais em geral, sítios de material visual compartilhado, “wikis”, blogs e similares. Em tempos de "marketing eleitoral", essas fontes estão assumindo um significado todo especial, fazendo parte de um embate político-eleitoral que apenas começa a ser detectado e avaliado. Um dos marcos desse novo "campo de enfrentamento" foi a própria eleição presidencial dos EUA.
Um outro tipo de IntelFA lida com insumos que derivam da área oficial. Eles incluem fontes documentais tão diversas quanto “diários oficiais”, orçamentos públicos, processos de licitatórios, processos legislativos, contratos públicos, etc. Importante enfatizar que existe no Brasil uma vasta gama de documentos do gênero que precisam estar disponíveis publicamente, dado o princípio da “publicidade” que é necessariamente aplicado no caso de “negócios públicos”.
Outra das fontes da IntelFA resulta de atividades estritamente de observação e descrição. É o caso da observação realizada por pequenas aeronaves não-tripuladas (recurso hoje comum em vários países do mundo atual); sistemas de monitoramento de radio-transmissão (vários deles resultantes da chamada “Guerra Fria”); sistemas de observação por satélite (caso do "Google Earth"), Sistemas de Circuito Fechado de Televisão” (CFTV), etc. Vale destacar a relevância global dos atuais produtos e serviços do “Google Earth”, oriundos das atividades de diferentes empresas do setor privado, quando antes isso somente seria possível em situação monopolizada por órgãos de Estado ou, no mínimo, sob estrita tutela governamental indireta.
Outra fonte da IntelFA pode ser identificada no meio acadêmico ou técnico-profissional. É o conhecimento comunicado em artigos, conferências, encontros, simpósios, etc, bem como documentação especializada regularmente difundida por organizações especializadas técnico-profissionais. Aí estão incluídos tanto órgãos para-estatais quanto privados de razoável nível de credibilidade – as chamadas organizações não-governamentais (ONGs), tão em moda na contemporaneidade.
Uma característica peculiar da informação do século 21 é o fato dela poder assumir uma dimensão geoespacial. Por isso mesmo, a IntelFA inclui não apenas textos não-estruturados, codificados em linguagem semântica ordinária. Ela hoje inclui também mapas, dados de navegação (como os hoje populares dados de sistemas de navegação por geoposicionamento por satélites para orientação de veículos privados), imagens terrestres tomadas por satélites para utilização comercial e outras tantas informações mais de codificação geoespacial.
Importante notar que os "insumo informacionais" da IntelFA não estão necessariamente “web based” (contidos na rede mundial de computadores), podendo estar disponíveis, por exemplo, em arquivos de Sistemas de Informação Geográfica (Geographic Information Systems – GIS) contidos em mídia comum de transporte e circulação de arquivos digitais.
É importante ter em mente que a IntelFA não pode ser confundida com a atividade de pesquisa genericamente considerada. Ainda que tanto uma atividade quanto a outra resultem na criação de conhecimento, o produto resultante da IntelFA resulta da aplicação do “método de inteligência”, do que decorre que seus produtos guardem, função disso, a peculiaridade de poder apoiar processos decisórios específicos e envolvendo atores e organizações pré-determinadas. 
A peculiaridade da IntelFA pode ser percebida a partir de suas definições. Uma delas é a provida pelo Diretor de Inteligência dos EUA e pelo Departamento de Defesa daquele mesmo país: “A Inteligência de Fontes Abertas (Open Sources Intelligence) é produzida a partir de informação publicamente disponível e que é coletada, explorada e disseminada de maneira oportuna, para uma audiência apropriada, com o propósito de atender um requisito específico de inteligência”.
A inserção de organizações do setor privado na produção de IntelFA é um fato incontestável nos tempos atuais. Nos EUA já existem empresas formalmente estabelecidas como “vendedoras de IntelFA”. E isso é tão verdadeiro que a IntelFA consta como item do Código Comercial do Escritório de Gestão e Orçamento dos EUA – sob a “rubrica de ‘Forças de Apoio Direto’”, sob o número M320 -- Coleta e Processamento de Inteligência de Fontes Abertas. O item está assim numerado e classificado, inclusive, enquanto objeto comercial do interesse do Ministério da Defesa dos EUA.
A IntelFA está produzindo uma verdadeira "revolução silenciosa" nos ambientes clássicos da atividade de Inteligência. É o lado oculto, para a maioria, de algo conhecido e bastante utilizado, ainda, apenas por alguns. Os benefícios disso apenas começam a aparecer...

26 maio 2010

O RACIOCÍNIO DA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

Existe uma relação entre atividade de inteligência e investigação criminal. Na verdade, a inteligência tem por objetivo processar informações, geralmente em larga escala para assessorar a investigação criminal. A inteligência é um instrumento pelo qual a investigação criminal atua no estudo e compreensão de fatos complexos ou conjunto de fatos em sua evolução no tempo. Atua com mais ênfase no campo diacrônico com a análise de conjunto dos fenômenos sociais, criminais que ocorrem e se desenvolvem através do tempo e espaço.
Uma visão holística da criminalidade é considerada na sua relação com uma totalidade maior, através da qual adquire sentido quando se faz a descoberta de ligações pertinentes de forma integral de diversos fenômenos. O que é relevante no entendimento integral dos fenômenos é sua contraposição ao procedimento simplesmente estatístico e analítico (quantitativo) em que os elementos são tomados isoladamente.
A Inteligência Policial e a investigação criminal trabalham em um ambiente informacional, e de certa forma, através de inúmeras evidências antes de obter a informação com significado. As evidências provêm de um conjunto de fontes diversas onde o analista busca inicialmente o conhecimento: bases de dados, sistemas informacionais, notícias, observações de comportamentos, entrevistas, relatórios, informantes, reconhecimento fotográfico e de comunicações diversas para depois avaliar possíveis soluções e respostas.
De acordo com Tholt (2006) a avaliação de evidências como uma etapa crucial na análise, mas, em que evidências as pessoas confiam e como elas as interpretam, são influenciadas por uma variedade de fatores exógenos. As informações apresentadas em detalhes concretos e vivos freqüentemente têm impacto não garantido e as pessoas tendem a desconsiderar informações estatísticas ou abstratas que possam ter maior valor evidente.
Organizações policiais, especialmente aquelas voltadas à atividade investigativa começam a perceber que a administração da informação é uma condição estratégica. A necessidade de produzir conhecimento de forma mais rápida, em razão da complexidade e velocidade que ocorrem os fatos, vem sugerindo a necessidade de implementação de processos de gestão da informação com o suporte da Inteligência da organização.
Geralmente a atividade policial depara-se com situações complexas, onde a tomada de decisões implica na possibilidade de tomar decisões perante os problemas da criminalidade.
A Inteligência Organizacional considera a eficácia global de sua organização, do ponto de visão da sua inteligência total, ou sua habilidade para fazer coisas de um modo “inteligente”. A Inteligência organizacional pode ser definida como a capacidade de uma organização para mobilizar tudo de sua capacidade intelectual, e para foco que capacidade intelectual em alcançar sua missão. Organizações tendem a se derrotar desperdiçando energia humana e falindo na capitalização da inteligência das pessoas. Organizações "inteligentes" tendem a ter sucesso pela multiplicação da inteligência pelas pessoas e os processos que são desenvolvidos.
Na atual conjuntura, a sociedade está afundada num quadro de criminalidade e violência que modifica hábitos, aumenta gastos de governos, atinge vidas humanas. A Inteligência é quase cotidianamente invocada como uma das atividades capazes de apontar um caminho para a solução desse problema.
Atualmente, a Inteligência deixou de ser um instrumento à disposição somente de governantes para se tornar atividade de produção de conhecimento para qualquer organização que necessita de significados perante situações desconhecidas no ambiente. Numa organização policial, por exemplo, o que diferencia sua formatação da Inteligência clássica é a finalidade, definida pelas necessidades peculiares de conhecimentos sobre o crime e como as ações delitivas se desenvolvem.
Na questão da segurança pública, a Inteligência configura–se como o segundo elemento de um binômio indissolúvel. Uma necessidade intrínseca. Operada com competência por profissionais especializados com utilização da Tecnologia da Informação, disponibiliza conhecimentos a respeito da ameaça representada pelo crime estruturado e suas ações complexas. Favorece também, suporte às investigações de crimes de massa, assegurando melhores condições de atividade operacional ao homem da ponta da linha - o policial investigador ou o policial ostensivo em contato com o criminoso.
A inteligência policial atua com uma visão sistêmica da organização, contemplando todas as suas necessidades operacionais. Como atividade de assessoramento da investigação criminal desenvolve técnicas e habilidades de monitoração do crime para a efetividade das ações policiais. Monitoração é a tarefa de ficar observando os fatos e produzir conhecimento antecipado sobre os eventos criminosos. Significa ter possibilidade de ação pró-ativa e promover alertas para decisão.
Enxergar alguns passos à frente não significa que você precisa de uma bola de cristal, você somente precisa se preparar para as possibilidades incertas. O que faz um processo de alerta antecipado válido é a habilidade da organização para ajudar a evitar conduzir-se no alcance somente de resultados específicos, em detrimento da identificação de sinais do todo do ambiente (FULD, 2007).

FULD, L. M. Inteligência Competitiva: Como se manter à frente dos movimentos da concorrência e do mercado. Editora Campus/Elsevier. Rio de Janeiro. 2007.
THOLT, Carlos. Decida com Inteligência. Capítulo 10. Predisposições na Avaliação de Evidências. Editora Thesaurus. Abraic. 2006.

30 abril 2010

A COMUNICAÇÃO E A INTELIGÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

A comunicação é um componente da Inteligência Organizacional que está além das transmissões em redes de computação e informativos internos administrativos. Refere-se também aos recursos disponíveis, e quase todos de caráter verbal, como a propaganda, divulgação da imagem e fixar a identidade da organização.
Contempla recursos de propaganda, habilidade de produzir contrapropaganda desenvolver ações relativas à desinformação. Não se resume simplesmente no ato de realizar contatos com a imprensa, mas definir também procedimentos para os discursos formais de diretores, processos para enunciar a política e a estratégia institucional, bem como promover a difusão e a publicação de resultados. Até aqueles atos mais sutis, normalmente não entendidos ou não considerados expressivos, como os da visualidade da organização e da gestualidade dos dirigentes, a arquitetura das instalações físicas, a postura e vestimenta das pessoas, o atendimento acessível e celeridade de serviço, são importantes.
Em síntese, é a forma de transmissão de informações e conhecimentos que flui em uma organização ou fora dela, entre atores humanos e em sistemas, além daquelas trocas que ocorrem entre uma organização e seu ambiente formal de relação profissional (imprensa, comunidade, órgãos de governo etc.).
É evidente que a presença de processos de comunicação não deve ser entendida apenas como complementos da estratégia organizacional, mas sim como componentes essenciais na construção de uma estratégia comum.
A comunicação organizacional necessita ser entendida de maneira integral, como um componente que atravessa todas as ações da organização e configura de forma permanente, a construção da cultura e a identidade. Cada vez mais se torna evidente como os processos de comunicação contribuem para desenvolver formas de inter-relação mais participativas e, portanto, mais comprometidas, dando maior flexibilidade às organizações como base de sua permanente transformação e facilitando sua interação social de modo responsável para conjugar seus interesses com as condições culturais, econômicas e políticas nas quais se movem (CARDOSO, 2006).
Assim, surgem novas dimensões para a comunicação organizacional, que a vejam como um processo amplo, que se confunde com a própria estratégia da organização, e não a restringe apenas às situações internas da organização ligadas a atos de pessoas e departamentos.
Na definição de Lévy (1993), comunicação são palavras, frases, letras, sinais ou caretas que interpretam, cada um à sua maneira, a rede de mensagens da organização que influi sobre o significado das mensagens futuras. Um sistema de comunicação significa uma teia de relações com características de rede de informações. O conhecimento como rede tem sido a metáfora mais adequada, não importa muito, portanto, onde estão depositadas as grandes massas de informações. O que verdadeiramente interessa é que elas transitem, cresçam, aperfeiçoem-se na interconexão e sejam colocadas à disposição no momento certo, para as pessoas certas, na medida adequada para nos ajudar a resolver questões específicas.
A quantidade de informações existentes em organizações policiais que pode ser transformada em conhecimento é imensa. Por isso mesmo é fácil perceber que o foco da questão, nos dias atuais, não é mais a quantidade de informação produzida, mas sim a qualidade e a abrangência da informação e a estrutura de comunicação que permite seu aproveitamento pela organização. A comunicação e a estrutura da informação referem-se à condição de transformar a imensa massa de informações em conhecimento pertinente.
A comunicação implica uma estrutura de movimento informacional no espaço sem fronteiras. A comunicação estende suas ligações em forma de tentáculos num ambiente distribuído de conhecimentos. Portanto, numa dimensão coletiva, a estrutura de informação na comunicação refere-se ao compartilhamento entre todos, na medida em que cada nova informação e conhecimento acumulado pelo sistema promove uma interação de diviersos setores.
A necessidade de interação com o movimento das informações nos remete a uma idéia e dimensão de ciberespaço, como na forma do hipertexto, considerando aqui os aspectos de organização de conhecimentos, dados, informações e comunicação de forma não-linear (FACHINELI, RECH, MATTIA, 2005). Neste ponto de vista, o hipertexto é um dispositivo de representação e de comunicação que pode ser utilizado como metáfora para a compreensão do processo comunicacional e funcionamento do sistema em rede da organização.
Desta forma, numa organização policial a comunicação produz um universo de sentido circular da comunicação, ou seja, cada informação ou cada conhecimento novo gerado estimula toda a rede da organização policial e contribui para a remodelação da rede.
Participar de uma rede organizacional envolve, portanto, algo mais do que apenas trocar informações ou informes a respeito dos trabalhos que um grupo realiza isoladamente. Esta rede significa comprometer-se a realizar conjuntamente ações compartilhadas anexando valor e atuando de forma flexível, transpondo, assim, fronteiras geográficas, hierárquicas, sociais ou até políticas.
A constituição de uma teia de relações em torno de objetivos delimitados e fortemente compartilhados, articulada para a concretização de atividades diversas e mutáveis, amplia o campo de ação das organizações, gerando aumento do potencial competitivo (AYRES, 2001).
Considerando o contexto da investigação criminal, a comunicação produz uma malha e tráfego de informações compartilhadas, ao mesmo tempo em que contribui para a compreensão dos processos investigativos inerentes ao fenômeno criminal como um todo, potencializando toda a atividade.

AYRES, B. R.C. Os centros de voluntários brasileiros vistos como uma rede organizacional baseada no fluxo de informações. Revista de Ciência da Informação, v.2, n.1, fev/2001.
CARDOSO, O. O. Comunicação Empresarial Versus Comunicação Organizacional: novos desafios teóricos. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rap/v40n6/10.pdf. Acesso em: 23/07/2006.
FACHINELLI, A. C., RECH J. e MATTIA, O. M. A Dinâmica da Informação na Comunicação Organizacional: A Perspectiva do Hipertexto e da autopoiese1. Universidade de Caxias do Sul (UCS). 2005. Disponível em: http://sec.adaltech.com.br/intercom/2005/resumos/R1647-1.pdf. Acesso em: 23/07/2007.
LEVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Editora 34. 13ª Edição em 2004. São Paulo. 1993.

23 março 2010

A APRENDIZAGEM NA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

A aprendizagem organizacional tem como pano de fundo a gestão da informação (BEMFICA, BORGES, 1999). Nas organizações modernas, prolifera a construção de modelos de aquisição de conhecimento organizacional baseado em infra-estruturas e sistemas em redes que se tornam fontes básicas de informação acessível por todas as pessoas e setores na busca de significados para a solução de problemas.
No contexto da investigação criminal, ou seja, acerca de como obter aprendizagem por meio de um processo cognitivo, é necessária uma abordagem menos fundamentada e mais pragmática do tema da informação como recurso essencial à investigação criminal. Conceitualmente, informações é em larga medida, instrumental, e matéria prima da investigação criminal.
A Investigação criminal é um conjunto de procedimentos para o esclarecimento de fato delituoso e descoberta de autoria. É um conjunto de providências informativas desenvolvidas para esclarecer condutas criminosas. Tem como base a instrução, conjunto de dados e informações coletados para formar a convicção.
Nesse sentido as organizações policiais não podem prescindir de enormes avanços em infra-estrutura tecnológica em relação ao próprio funcionamento e no tratamento de quantidade imensurável de informações, incrementando áreas específicas de análise e gestão do conhecimento, comunicação formal e informal, administração de redes e logística.
A questão básica se refere à efetiva estrutura de gestão da informação, promovendo uma adaptação do sistema e reconstrução de procedimentos para a inovação da investigação criminal, tecnicidade, análise e integração de bases informacionais. Na essência, o processo conduz as organizações policiais para aumento da capacidade investigativa com visão de contexto, global e em rede multidimensional, cujo processo caminha para a multiplicação de de habilidades, gerando aprendizagem contínua. Isso demonstra de forma pragmática a necessidade de alteração de procedimentos investigativos e reestruturação do circuito do método e o fluxo da informação.
A atualização da doutrina da investigação criminal ocorre pelo ciclo de aprendizagem que envolve a crítica de várias regras empíricas, tradicionais, procedimentos e o funcionamento do processo atual. Uma das grandes barreiras é a legislação processual penal. Entretanto, há uma relevante importância no processo de coleta, armazenamento, interpretação e análise da informação, cujo principal resultado é inovar os procedimentos investigativos.
O que muda na organização policial é a perspectiva de visão dos fatos que ocorrem no ambiente social, principalmente em casos complexos. Alguns fatores evidenciam a capacidade de visão ampliada do crime e as vezes preditiva na aplicação da análise de vínculos:
• Rápida identificação de relacionamentos, participação, co-autoria e associação;
• Capacidade aumentada pela extração de volume de informações e fluxo de comunicações entre criminosos, gerado pela análise dos dados de ligações decorrentes da interceptação telefônica;
• Verificação da movimentação financeira e ramificações de contas bancárias (lavagem de dinheiro);
• Constatação de transferência de bens móveis e imóveis;
• Demonstração gráfica do movimento do crime pela análise do posicionamento de sinais nas estações de rádio base das operadoras de telefonia;
• Detecção instantânea do vínculo e reatividade de pessoas com fatos e ocorrências armazenadas;
• Localização textual de argumentos e palavras nas bases armazenadas em tempo real e associação de documentos e textos referente a assuntos semelhantes;
• Visualização de várias entidades num mesmo gráfico, sendo que entidade é uma representação para identificar a natureza das informações no sistema.

Além dos aspectos acima, a organização policial ganha em celeridade das demais atividades acessórias, a partir da condição de que todos têm acesso ao conhecimento novo armazenado no “Cérebro de Informações” da Organização. No nível estratégico, a memória de inúmeros casos solucionados, evita-se diligências repetitivas para a busca de informações, ou seja, retrabalho cumulativo.
No nível operacional, principalmente pelo exercício do monitoramento, os setores investigativos conseguem detectar uma re-atividade de ações e de criminosos que agem novamente com outros comparsas, podendo-se ainda, pela ação da Inteligência, se antecipar na identificação de conexões de grupos (quadrilhas) com outros grupos e sua atuação interestadual.
Dependendo da massa de informações que o investigador obtém e a complexidade das relações ilícitas possíveis que surgem no caso investigado, ele passa a ter dificuldades de estabelecer as conexões lógicas dos fatos e realizar as associações necessárias entre pessoas, empresas, objetos etc. É nesta situação que um sistema (processo de fluxo de informação) como se fossem neurônios apresenta sua importância, bem como a atuação do analista que interage entre o investigador e a tecnologia.
Não é difícil deduzir que em pouco tempo todo investigador tornar-se-á um analista e fará uso da análise antes da investigação, operando a rede de conhecimento, obtendo uma aprendizagem dinâmica a cada situação nova.
De acordo com Choo (2003), o conhecimento reside na mente dos indivíduos, e esse conhecimento pessoal precisa ser convertido em conhecimento que possa ser partilhado e transformado. Quando existe conhecimento suficiente, a organização está preparada para a ação e escolhe seu curso racionalmente, de acordo com os objetivos.
As organizações policiais articuladas para a aprendizagem adquirem uma compreensão de que a ação eficaz é devido ao resultado dinâmico de relações entre informações, eficiência potencial e relacionamentos interpessoais, eficiência real, permitindo modificações substanciais nos seus procedimentos.
Para Chiavenato (2004) a eficiência potencial compreende as tarefas, instalações físicas, equipamentos e instrumentos utilizados, envolve a tecnologia e a operação das tarefas. A eficiência real compreende as pessoas, sua características físicas e psicológicas, relações sociais entre indivíduos encarregados da tarefa e sua organização formal e informal na situação de trabalho.
Na verdade, a soma de habilidades (experiência e análise com tecnologia) torna-se relevante para a organização, pois estabelece um curso de aprendizagem conjunta. Senge (2006) afirma que habilidades desenvolvidas em equipes podem propagar para outros indivíduos e outras equipes e definir o ritmo da organização, estabelecer um padrão para a aprendizagem conjunta de toda a organização.

BEMFICA, Juliana do Couto; BORGES, Mônica Erichsen Nassif. Aprendizagem organizacional e informação. Ci. Inf., Brasília, v. 28, n. 3, 1999. Disponível em: . Acesso em: 16/07/2007.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Elsevier Editora. 3ª edição. Rio de Janeiro. 2004.
CHOO. C. W. A Organização do Conhecimento: Como as Organizações Usam a Informação Para Criar Significado, Construir Conhecimento e Tomar Decisões. Editora Senac São Paulo. São Paulo. 2003.
SENGE, P. M. A Quinta Disciplina: Arte e prática da organização que aprende. Editora Best Seller. 2006

07 março 2010

CONSULTOR EM INTELIGÊNCIA

1. Sou um consultor civil, autônomo, em inteligência de estado, de segurança pública e privada. Ou seja, minhas atuais atividades técnico-profissionais são completamente desvinculadas da instituição pública a que pertenci no passado, ainda que a atividade de inteligência seja de utilização comum, tanto na esfera pública quanto privada. É preciso compreender que a atividade de inteligência tem várias vertentes, uma delas, a empresarial, organizacional ou competitiva, possuindo inclusive várias associação de profissionais da área, com registro público (em nível nacional e internacional) e aberta a associados de toda e qualquer origem técnico-profissional e instituição de origem.

2. Os métodos e produtos da atividade de inteligência, respeitados os limites da legislação, são utilizados em proveito de clientes públicos e privados, tal qual na atividade advocatícia que estou autorizado a exercer de acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF Inscrição Número: 29838. Ou seja, não há desdouro, da parte do profissional autônomo de inteligência, em ser consultado e contratado por operadores políticos (tal qual os da área de "marketing político"), da mesma forma que não há em colocar seus serviços à disposição de empresas privadas e que competem no mercado de bens e serviços visando atingir uma posição de vantagem na oferta de seus produtos e "sobreviver" em um regime de livre competição regido e tutelado pelas normas vigentes no Estado Democrático de Direito.

3. Por definição, os operadores da atividade de inteligência são assessores da instância máxima da instituição ou organização e que pertencem, em não sendo autônomos. No caso das instiuições policiais brasileiras, a instância máxima é o chefe do Poder Executivo da unidade federativa considerada ou da união. Um Chefe de Polícia ocupa um cargo comissionado de indicação do Chefe do Poder Executivo correspondente, o que pressupõe lealdade funcional, condição talvez conflitante com certas operações de inteligência policial, bem como com a confiabilidade de seus produtos em determinadas circunstâncias específicas. Mas assim é que acontece, seja em nível local ou federal.

4. Sou um egresso da vida pública em instituição pertencente ao Poder Executivo do Distrito federal, que buscou preparar-se para uma segunda carreira, tal qual fazem, de igual maneira, os técnicos, como eu, egressos do Poder Executivo e Judiciário dos entes federativos e do poder central. Tenho titulação acadêmica de Mestre em Ciência em Tecnologia da Informação e Gestão do Conhecimento, sou autor de obras publicadas e em preparação versando sobre a atividade de inteligência, bem como assino inúmeros trabalhos disponíveis, tanto em públicações disponíveis comercialmente quanto de acesso público e universal na rede mundial de computadores.

5. O livre ofício privado de atividade originalmente aprendida e/ou iniciada na vida pública é um direito de profissionais liberais, após deixar o serviço público, sejam eles de qualquer origem técnico-profissional e/ou institucional. É preciso, portanto, enfatizar, neste momento, que não consta em lei nenhuma vedação de que o exercício da atividade de assessoria/consultoria em inteligência, seja ela pública ou privada, deva ser diferente, em seu livre exercício, inclusive em relação aos profissionais que exercem tal atividade sendo oriundos da área da gestão da segurança pública.

26 janeiro 2010

A MEMÓRIA DE UMA ORGANIZAÇÃO POLICIAL

A memória é um conjunto de ações na organização para capacitá-la a preservar, recuperar e utilizar sua experiência (informação sobre sucessos e falhas passadas) e, assim, aprender por meio de sua própria história. As informações e o conhecimento novo adquirido pela organização devem estar disponíveis para serem utilizados em decisões futuras. Geralmente a forma como que as pessoas e setores desenvolvem suas atividades não é sistemática. Algumas vezes elas trabalham sincronizadas, porém, na maioria das vezes elas têm um foco e visão dos problemas bem diferentes, sem saber que o conhecimento e a solução existem na organização.
Euzenat (1996) explica que memória organizacional é um repositório do conhecimento e experiências do conjunto dos indivíduos que trabalham em uma organização, tendo por finalidade preservar o conhecimento, a fim de permitir a socialização, uso, reuso, inovação e transformação do mesmo. Pode ser comparada a uma rede virtual sobre o ser humano e à experiência dos mesmos (tácita ou representada explicitamente) disponíveis em uma organização.
A aquisição de conhecimentos na organização deve ser feita através da aquisição e circulação de informações numa rede de comunicação (STEIN, 1995). O autor afirma que nas mensagens pela rede de comunicação, a informação pode ser mantida por longos períodos, mesmo com pessoas entrando e saindo. O conhecimento compartilhado e os valores emergem destes contínuos processos de comunicação, contribuindo para o desenvolvimento de mapas cognitivos compartilhados.
Não existe ainda uma definição completa de memória organizacional. O senso mais geral para definir a memória organizacional está dirigido em como poder usar de novo uma experiência acumulada pela organização, também relevante àqueles esforços da organização, em considerar um repositório de informações que proporcione conhecimento como uma mistura fluida de experiência moldada, valores, informação de contexto, e uma estrutura para incorporar experiências novas pelo fluxo de informações (ATWOOD, 2002). Nas organizações a memória está embutida freqüentemente não só em documentos ou repositórios, mas também nas rotinas, processos, práticas, e normas. É a memória presente na cultura da organização.
A cultura se refere ao padrão de desenvolvimento refletido no sistema de conhecimento, ideologia, valores e regras. Ela é de considerável relevância para a compreensão das organizações e auxilia na formação de aspectos de funcionamento corporativo, estratégia, estrutura e a liderança da administração. Uma vez que entendemos a influência da cultura nos comportamentos, percebemos que a mudança organizacional é uma mudança cultural e que todos os aspectos da transformação corporativa podem ser abordados com essa perspectiva (MORGAN, 2006).
A memória da organização poderá permitir e suportar uma mudança gradual na maneira de as pessoas realizarem o trabalho, por meio das experiências precedentes e competências dos recursos humanos da organização. Assim, é um meio através do qual o conhecimento do passado é trazido às atividades atuais. Este processo facilita a identificação e a análise dos recursos organizacionais disponíveis e requeridos, contribuindo para a sua preservação e distribuição subseqüentes, favorecendo a construção de um repositório de conhecimento de acordo com a cultura, do contexto, dos objetivos pretendidos e das necessidades da organização (STEIN, ZWASS, 1995).

Carvalho (2003) exibe as quatro etapas do processo de criação do conhecimento, figura 2, para a construção da memória organizacional que surge pelo processo de armazenamento das informações.
No processo de captura e criação (Etapa 1) a organização vai explorar as fontes e produzir conhecimentos pela conversão dinâmica e externalização de seu conhecimento tácito. Ambos os conhecimentos, explícito e tácito, podem ser capturados e articulados de maneira colaborativa e participativa, no âmbito da organização. Durante o processo de criação do conhecimento, há interação entre conhecimentos existentes. Este efeito é particularmente observável se o processo de descoberta de conhecimento é aberto, colaborativo e participativo.
No processo de armazenagem (Etapa 2) serão selecionadas as metodologias e técnicas para codificação e armazenamento do conhecimento, visando ao uso de soluções reutilizáveis. Nesta fase pessoas e setores constituídos na etapa 1 deverão identificar e criar conceitos para representar o conhecimento em um sistema computadorizado. Para tanto, se faz mister escolher técnicas para codificação e representação do conhecimento, escolher ontologias apropriadas ao contexto, e definir, tecnicamente, qual o tipo de estrutura computacional suportará uma memória organizacional a ser construída.
Durante a distribuição e aplicação do conhecimento (Etapa 3) poderá se ter acesso a uma memória organizacional que servirá como um mecanismo de apoio para a implementação de soluções organizacionais e melhoria de práticas de trabalho, bem como possibilitará uma melhor definição dos objetivos estratégicos e táticos. Nesta etapa, é compartilhado conhecimento dentro de uma organização pessoas por grupos funcionais diferentes, que podem estar localizados, muitas vezes, em áreas diferentes da organização.
Na transformação e inovação (Etapa 4) cada aplicação dos conteúdos do repositório de conhecimento vai gerar informações e lições. Com base na experiência dos usuários do repositório, poder-se-á aprimorar o conhecimento organizacional, permitindo melhoria do processo de modelagem, bem como novas práticas de trabalho.
A maioria das organizações policiais não são funcionalmente integradas, são fortemente hierarquizadas e estruturadas como se fossem máquinas, isto é, organizações burocráticas. Os diferentes componentes de um sistema policial, em geral, são capazes de realizar suas tarefas e executar as atribuições específicas de forma separada, e frequentemente isto acontece devido às atribuições rigidamente definidas em normas. Embora possa haver aparente integração de esforços operacionais, algumas instituições trabalham de forma independente, compartimentando informações. Isto traz como conseqüência a formação de repositórios isolados, que no aspecto da gestão da informação, constitui grave obstáculo ao sistema como um todo.
A essência da teoria clássica da administração e de sua moderna atuação sugere que organizações devem ser sistemas racionais, tendo por objeto uma forma nos seus procedimentos para funcionar da maneira mais eficiente possível (MORGAN, 2006).
A eficiência de uma organização policial depende dos procedimentos de armazenamento e processamento de informações totais. Diante do volume de dados disponíveis e a complexidade das ações, dirigentes (Autoridades Policiais) tomam decisões processando informações com referência às necessidades e casos novos que surgem. As decisões estratégicas, o desenvolvimento de políticas e os planos, por sua vez, fornecem novos rumos para o processamento de mais informações e o desenvolvimento do processo precisa ficar mais eficaz em direção à propagação e distribuição do conhecimento.

ATWOOD, Michael E. Organizational Memory Systems: Challenges For Information Technology. Drexel University College of Information Science and Technology Philadelphia, PA. 2002. Disponível em: . Acesso em: 16/10/2006.
CARVALHO, F.S. Modelagem Organizacional e Gestão do Conhecimento: O Caso da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Pernambuco. Recife. 2003. Disponível em: www.di.ufpe.br/~ler/trabalhos/tra_dissertacoes/FranciscoCarvalho_dissertacao.pdf. Acesso em: 16/10/2006.
EUZENAT, J. Corporate Memory Through Cooperative Creation of Knowledge Bases and Hyper-documents. Franca. 1996. Disponível em: http://ksi.cpsc.ucalgary.ca/KAW/KAW96/euzenat/euzenat96b.html. Acesso em: 13/08/2006.
MORGAN, G. Imagens da Organização. Editora Atlas. São Paulo. 2006.
STEIN, Eric W. Organizational memory: review of concepts and recommendations for management. International Journal of information Management, vol. 15, nº 2, pp. 17-32, 1995.
STEIN, E. and ZWASS, V. Actualizing organizational memory with information systems. Information Systems Research 6 (2), 1995.

04 dezembro 2009

GESTÃO COLETIVA DO CONHECIMENTO

BADARACCO (1991) descreve que o aumento no volume global de conhecimento levou à especialização dentro de disciplinas científicas. Há um século, um pesquisador consumado podia adquirir uma compreensão geral do estado da pesquisa em quase todas as áreas da ciência; hoje, mesmo dentro dos limites de certo assunto, pessoas de especialidades diferentes podem ter dificuldades de se entenderem. As primeiras duas edições da Enciclopédia Britânica foram produzidas por apenas dois cientistas; atualmente, são necessários dezenas de milhares de especialistas para trabalhar em cada nova edição.
Com a evolução tecnológica mundial o conhecimento e a informação, ativos intangíveis, estão alcance dos jovens, estudantes, docentes, acessíveis pelas organizações, cientistas e também pelos criminosos. Reflexo da teoria de que o mundo é plano, não existem mais barreiras para acesso a informação, e, a capacidade de obtenção aumenta cada vez mais numa velocidade exponencial. Isto sugere que as mentes ilícitas modifiquem suas ações e possuam a mesmo aumento de capacidade.
Existe uma relação ação simultânea entre a gestão do conhecimento e a tecnologia; esta relação leva a retornos crescentes e sofisticação crescente em ambas as frentes. À medida que a tecnologia da informação se torna nossa ferramenta pessoal e nossa conexão com os outros, aumenta nossa cobiça em acessar ainda mais informação e conhecimento de outras pessoas, e então demandamos ferramentas de tecnologia de conectividade ainda melhores e mais eficientes, que se tornam parte da forma como trabalhamos na interatividade.
Este é um fenômeno que vem acarretando mudanças no comportamento, no modo de viver das pessoas, no modo de atuação das empresas perante a concorrência, na ação de criminosos, provoca alterações perturbadoras na relação social. É um processo que não tem volta, e no contexto da segurança pública, revela um cenário de necessidade de adaptação do sistema e dos processos investigativos para num modelo mais contemporâneo, com inserção de processamento e interpretação do volume das informações, análise de inteligência, e conseqüentemente a especialização de profissionais preparando-os para atuar no ambiente social complexo, hoje predominantemente virtual.
PROSBST, RAUB e KAI (2002) dizem que as habilidades dos indivíduos são vitais para a base do conhecimento da organização. A capacidade de transformar dados em conhecimento e de utilizá-lo em proveito da empresa torna o funcionário em agente primário do conhecimento da empresa. Entretanto, a perícia técnica dos indivíduos não é o único tipo. Muitos dos processos que são básicos para uma organização bem sucedida dependem mais dos elementos coletivos do conhecimento. Se pessoas de uma organização tiverem êxito em trabalhar produtivamente em conjunto, então a empresa adquire uma competência organizacional que forma um elemento coletivo em sua base de conhecimento.
NONAKA & TAKEUCHI (1997) conhecimento está essencialmente relacionado à ação humana. A Informação pode ser vista de duas perspectivas: A informação sintática (ou o volume de Informações) e a informação semântica (ou o significado). Uma informação sintática encontra-se na análise, na qual o fluxo de informações é medido sem levar em consideração o significado inerente. O aspecto semântico da informação é mais importante para a criação do conhecimento, pois concentra-se no significado transmitido.
Para os autores se limitar o escopo da consideração apenas para o aspecto sintático, não se pode captar a verdadeira importância da informação no processo de criação do conhecimento. Qualquer preocupação com a definição formal da informação levará a uma ênfase desproporcional no papel do processamento da informação, que é insensível à criação de novos conhecimentos a partir do mar caótico e equívoco de informações.

BADARACCO, J.L. How Firms Compete Through Strategic Alliance, Boston, MA: Havard Business School Pres. 1991.

NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação de Conhecimento na Empresa. “Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional”. Editora Campus. 1997.

PROBST, Gilbert; RAUB, Steffen; ROMHARDT, Kai. Gestão do Conhecimento: Os elementos construtivos do Sucesso - Editora Bookman, 2002.




25 novembro 2009

AS FASES DE PENSAMENTO NA ANALISE DE INFORMAÇÕES

Sendo um processo de produção de informação a atividade de análise de inteligência policial ou criminal é também uma atividade mental que envolve percepções sobre o ambiente e uma verdadeira acumulação e incubação de experiências profissionais intimamente ligadas aos valores e cultura das pessoas numa sociedade.
De acordo com Choo (2003) o conhecimento reside na mente dos indivíduos, e esse conhecimento pessoal precisa ser convertido em conhecimento que possa ser partilhado e transformado. Quando existe conhecimento suficiente, a organização está preparada para a ação e escolhe seu curso racionalmente, de acordo com os objetivos. A ação organizacional muda o ambiente e produz novas correntes de experiência, às quais a organização terá de se adaptar, gerando assim um novo ciclo.
A relação entre à formação da experiência e ação do analista com a mudança das estratégias da organização pode ser compreendida por meio das “fases do pensamento criador” de Platt (1974) quando define e explora detalhadamente a atividade mental do analista perante a atividade de produção de informações estratégicas. O autor descreve quatro estágios na mente do analista quando está ativa em direção a produção de informações. São elas: a acumulação, incubação, inspiração e verificação.
A acumulação que inclui a fase de coleta que afeta de algum modo à volumosa massa de idéias, conceitos e valores, armazenados na mente do analista, resultado da educação, cultura e experiência. Estes fatores, conscientes ou inconscientes tem grande influencia nas premissas estabelecidas para a análise de informações. A acumulação, portanto, inclui contribuições substanciais de toda a experiência e cultura do analista.
A incubação é estágio formal do pensamento criador. Neste estágio a mente diante das informações adquiridas sobre o problema específico, altera-se naturalmente pelo fundo geral. A maior parte desta atividade mental é inconsciente e constitui, na realidade, espécie de digestão mental e assimilação dos fatos disponíveis na mente. A idéias começam a brotar de modo lógico e com as conexões à mostra, não precisa esperar que esteja completa. O esforço mental na solução de um problema é uma série contínua de tentativas e erros. É um processo regular de experimentar e rejeitar de forma contínua, reconsiderando e buscando soluções adequadas para o problema de acorde com o aspecto probabilístico.
A inspiração é o momento de escolher uma tentativa de solução entre um grande número de soluções possíveis. A essa altura formula-se uma ou mais hipóteses para continuação do estudo, abandonando, permanentemente ou temporariamente, outros modos possíveis de abordá-lo, que pareçam menos possíveis. Neste momento, a mente, num instante de inspiração, focaliza um ou dois pontos cruciais e formula hipóteses que explicam seu papel no quadro geral. Em qualquer do problema, onde a mente está obrigada à seleção dos pontos críticos, a seleção é alcançada pelo exame de todas as possibilidades favoráveis, chegando-se metodicamente a uma decisão.
A verificação corresponde a determinação de conclusões. É o momento da definição das perspectivas mais corretas em relação a análise do problema. Surge a configuração do método mais adequado, as respostas lógicas que se transformam em conclusões; o quadro da situação global é visualizado com mais nitidez e a mente do analista encontra a configuração e representação técnica que deve ser inserida na análise. Nesta fase surge representação total do trabalho que torna possível o estudo do problema de forma específica e permite a consolidação final do conhecimento.

CHOO. C. W. A Organização do Conhecimento: Como as Organizações Usam a Informação Para Criar Significado, Construir Conhecimento e Tomar Decisões. Editora Senac São Paulo. São Paulo. 2003.
PLATT, Washington. A Produção de Informações Estratégicas. Biblioteca do Exército Editora. Rio de Janeiro. 1974.

13 novembro 2009

O ANALISTA POLICIAL

De acordo com Peterson (2005) o trabalho policial moderno está em constante mudança de métodos. Criminosos têm acesso a tecnologia avançada e desenvolvem novas ações com apuro extremo e planejamento dos crimes. Para emparelhar o passo com a sofisticação dos crimes, o trabalho investigativo precisa avançar no aperfeiçoamento de técnicas e aprimoramento do quadro de especialidades, considerado neste aspecto, o papel fundamental de analistas que usam tecnologias de análise de informações para resolver situações complexas.
Prossegue o autor dizendo que nos últimos 35 anos, a função de analistas foi estendida para apoiar investigações direcionadas para homicídio, fraude, narcóticos, vício, lavagem de dinheiro e crimes ambientais como também apoiando muitas outras atividades policiais. A análise é ensinada agora não só a analistas, mas também para investigadores, Autoridades Policiais e Promotores de Justiça. Na realidade, mais investigadores são formados para a análise que os próprios analistas, simplesmente, porque há muitos mais investigadores. Esses que se elevam a classe de analistas dizem que as técnicas analíticas são recursos importantes para a validação de informações.
O papel do analista é apoiar o processo decisório tomados por dirigentes policiais por meio de técnicas e métodos de produção de informações. Embora o analista propriamente dito, raramente seja responsável pelas decisões, nenhuma parte das operações das polícias deve ser indiferente ao escrutínio do analista. A habilidade de recuperar, analisar, e disseminar eficazmente a informação indica que o analista age como um elemento fundamental em todo o processo decisório. É função do analista recomendar, advogar ações eficazes e definir estratégias baseadas em seu sentido de diagnóstico. O analista não dá ordens ao pessoal operacional, mas decisões tomadas sem levar em conta uma sustentação analítica possivelmente não serão as melhores decisões.
Os analistas não devem somente ser proficientes em técnicas estatísticas e na matemática, mas também especialistas em tecnologia. Este profissional deve ter conhecimento sobre a infra-estrutura de bancos de dados, seus processos de armazenamento, recuperação e reutilização de informações. Deve possuir a capacidade de lógica, concentração e raciocínio, bem como uma personalidade e credibilidade para apresentar sua análise a outros com menor compreensão.
No mundo moderno a facilidade de acesso à informação (intangibilidade) provoca alterações nas relações sociais. Mudanças ocorrem em velocidade exponencial, assim como nas relações ilícitas. O impacto dessas mudanças no crime obrigam as organizações policiais a implementarem infra-estruturas e adotarem métodos monitoração ambiental. Nesse contexto, é importante ressaltar que somente a experiência individual de um investigador, que busca explicar os fenômenos de forma empírica e responder todas as questões não tem trazido muita eficiência. Daí a necessidade das organizações desenvolverem estruturas tecnológicas e, pela atividade de Inteligência, potencializar a capacidade da organização em solucionar problemas e realizar diagnósticos de forma mais contextual.
O campo da análise do crime ficou fortalecido com a aplicação da Tecnologia da Informação e os demais recursos eletrônicos capazes de capturar, armazenar e recuperar quantidade volumosa de dados que infinitamente são maiores que uma década atrás. Atualmente existem métodos e técnicas para permitir a visualização de delitos em gráficos e diagramas que facilitam a compreensão da complexidade de relações ilícitas.
Por causa de limites na capacidade mental humana, a mente não pode lidar diretamente com a complexidade do mundo. Ao invés disso, nós construímos um modelo mental simplificado de realidade e, então, trabalhamos com este modelo. Comportamo-nos racionalmente dentro dos confins de nosso modelo, porém, ele nem sempre se adapta bem às necessidade do mundo real. Carlos Tholt. Decida com Inteligência. Editora Thesaurus.2006.
A análise de informações constitui uma atividade altamente indispensável na área de Inteligência Policial e cada vez mais as situações complexas, exigem produção analítica durante a investigação. Uma informação isolada pouco significa se não estiver relacionada com outras ou posta em destaque para buscar seu significado verdadeiro. O significado, portanto, é o resultado mais importante que existe numa análise.
Na área das previsões, um bom trabalho de análise, com ferramentas especializadas, pode gerar uma previsão de ataques futuros e perfis geográficos. A previsão de ataque futuro busca indicar a posição provável seguinte de um ataque em uma série de crimes. O perfil geográfico busca determinar os prováveis pontos de apoio para as quais um delinqüente se dirigiu a partir das posições que escolheu atuar. Ambas as técnicas têm agora ferramentas e sistemas que podem ser usados para ajudar o analista na execução destas funções.
A análise criminal é uma atividade de auxílio na previsão. A teoria da previsão tem como base um conjunto de premissas que feitas corretamente, permitirão uma previsão mais acertada. Na análise criminal se as premissas forem falsas, o trabalho sairá incorreto, pouco importando quanto exatos sejam os dados e os fatos que considerados. Outra consideração que merece destaque é que o crime pode ser caracterizado como dinâmico e complexo, surgindo de forma instável na sociedade. Porém, visto no que diz respeito à evolução temporal e espacial gera parâmetros significativos e apresenta resultados determinados.
Peterson, Marilyn B. An Analytic Approach to Investigations. Department of Law and Public Safety, Trenton, New Jersey. 2005. Disponível em: http://www.policechiefmagazine.org/magazine/index.cfm?fuseaction=display&article_id=766&issue_id=122005. Acesso em: 07/04/2007.

06 novembro 2009

A LIDERANÇA NA ORGANIZAÇÃO POLICIAL MODERNA

Os líderes de uma organização policial devem estabelecer estratégias, através das quais, as metas se transformam em resultados e todos seguem com sintonia. Devem definir os valores da organização, sua cultura e seu sistema de recompensas. O dirigente policial precisa conhecer não só sua função, mas a organização como um todo, ou seja, sua finalidade, ambiente e as competências individuais, ressaltando as especialidades e despojado de ambições pessoais. Como se observa, a liderança numa organização policial se apresenta distante da gerência, colocando-se mais como uma questão de amplitude de atuação.
Liderança tornou-se uma palavra corrente na linguagem da administração. Os líderes são importantes porque respondem pela eficácia das organizações. O sucesso ou o fracasso de qualquer organização, em grande parte, depende da visão que os liderados têm de seus líderes.
Para Chiavenatto (1999, p.554-560), os líderes devem estar presentes nos níveis institucional, intermediário e operacional das organizações, as quais precisam deles em todas as áreas de atuação. O autor define ainda, a liderança como uma “influência interpessoal exercida em uma dada situação e dirigida através do processo de comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivos específicos”.
Segundo Drucker (1996), no prefácio do livro "O Líder do Futuro", líderes natos podem existir, mas, com certeza, poucos dependerão deles. A liderança deve e pode ser aprendida. Esta constatação motivou uma série de estudos por parte de professores e consultores. Para o autor, o que define o líder é o atendimento a quatro condições básicas de liderança, apresentadas pelos líderes por ele estudado:
1. A única definição de líder é alguém que possui seguidores. Algumas pessoas são pensadoras, outras profetas. Os dois papéis são importantes e muito necessários, mas, sem seguidores, não podem existir líderes;
2. Um líder eficaz não é alguém amado e admirado. É alguém cujos seguidores fazem as coisas certas. Popularidade não é liderança, resultados, sim;
3. Os líderes são bastante visíveis, portanto, servem de exemplo;
4. Liderança não quer dizer posição, privilégios, títulos ou dinheiro. Significa responsabilidade. (Drucker, 1996, p. 13)

O autor afirma, ainda, que liderança está em evidência nos meios acadêmicos e organizacionais, e não é, em si, boa ou desejável, mas sim, um meio. Tem pouco a ver com qualidade de liderança ou com carisma. Sua essência é o desempenho.
Desta forma, a base da liderança eficaz é compreender a missão da organização, defini-la e estabelecê-la de forma clara e visível. O líder fixa metas e prioridades, bem como fixa e mantém os padrões. Os líderes eficazes raramente são permissivos, têm responsabilidade. Outro requisito vital para a liderança eficaz é obter confiança.
De outro modo, não haverá seguidores. Para se confiar num líder não é necessário gostar dele. Nem concordar com ele. Confiança é a convicção de que o líder fala sério. É a crença em sua integridade. As ações de um líder e suas crenças professadas devem ser congruentes, ou ao menos compatíveis. A liderança eficaz não se baseia em ser inteligente; ela se baseia principalmente em ser consistente (Drucker, 1996, p.75).
Completando o pensamento de Drucker, Goldsmith (1996, p. 229), declarou acreditar que: "O líder do passado era uma pessoa que sabia como dizer. O líder do futuro será uma pessoa que saberá como perguntar". O líder precisará envolver, efetivamente, os liderados e obter participação, pois as tarefas serão muito mais complexas e as informações distribuídas de forma muito ampla para que o líder detenha todas as soluções.
Para Scholtes (1998, p.423), “O líder da próxima década e, provavelmente, do próximo século e milênio, deve compreender sistemas e deixar que a consciência de sistemas o informe sobre todos os planos e decisões”. Ou seja, liderar sistemas envolve liderar propósito, tecnologia, relacionamentos, equipes de trabalho, interações e um sistema de liderança.
Covey (1996, p. 159) entende que o líder do futuro será alguém capaz de desenvolver uma cultura ou um sistema de valor baseado em princípios. Além de ser um grande desafio, somente será alcançada por líderes com visão, coragem e humildade para aprender e crescer continuamente. Aprendizado que acontece ouvindo, observando tendências, percebendo e antecipando necessidades do mercado, avaliando sucessos e erros do passado, e observando as lições que a consciência e os princípios ensinam.

CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2.ed. Rio de Janeiro: Campus,1999.
COVEY, Stephen R. Três funções do líder no novo paradigma. In: HESSELBEIN, F.; GOLDSMITH, M.; BECKHARD, R. O líder do futuro. São Paulo: Futura, 1996.
DRUCKER, Peter F. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. 5. ed. São Paulo: Pioneira, 1996.
DRUCKER, Peter F. Introdução: rumo a nova organização. In: HESSELBEIN, F., GOLDSMITH, M., BECKHARD, R. A organização do futuro. São Paulo: Futura, 1997.
SCHOLTES, Peter R. O Manual do Líder: um guia para inspirar sua equipe e gerenciar o fluxo de trabalho no dia a dia. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 1998.

30 outubro 2009

SISTEMA DE INTELIGÊNCIA POLICIAL BASEADO NO CÉREBRO

A metáfora do cérebro trata a organização em forma de redes, grupos e sistemas de indivíduos e setores interconectados, construindo uma atividade e fluxo relacional de informações e conhecimento pela integração global.
Morgan (2006) afirma que à medida que entramos numa economia baseada no conhecimento, em que a informação, o conhecimento e o aprendizado são recursos-chave, a inspiração de um cérebro vivo, capaz de aprender, oferece uma imagem poderosa para a criação de organizações ideais, perfeitamente adaptadas aos requisitos da era digital.
Para melhor explicar a metáfora do cérebro nas organizações, o autor faz a associação com a holografia (uma técnica fotográfica que registra em três dimensões qualquer objeto). A holografia usa câmaras sem lentes para registrar informações de uma forma que guarda o todo em cada uma das partes. Um aspecto interessante que aponta é que se a placa holográfica que está gravando a informação quebrar, qualquer pedaço individual pode ser usado para reconstruir a imagem inteira. Prossegue no exemplo dizendo que “tudo está embutido em tudo o mais, como se fossemos capazes de atirar uma pedra numa lagoa e ver a lagoa toda e todas as ondas e gotas d’águas geradas pelo impacto em todas e cada uma das gotas de d’água”.
Organizações funcionando como cérebro significa dizer que a informação e o conhecimento estão distribuídos por toda a rede da organização, não existindo nenhum ponto de controle e armazenamento fixo. O armazenamento e o processamento da informação estão em muitas partes ao mesmo tempo.
Almeida (1995), fazendo uma analogia entre as organizações e o cérebro, diz que na “nova forma de organização não existe mais controle central de atividades. Cada célula é responsável e tem consciência do que deve fazer e do produto que deve gerar. Como a informação flui facilmente no interior de cada célula, para fora ou para dentro, a rede ou a cadeia como um todo tem condições de se adequar rápida e eficazmente às necessidades”. O fluxo eficaz da informação é o elemento-chave para o sucesso da nova forma de organização.
Estudos das teorias da administração incentivam as empresas para um modelo neural, no qual não existe absolutamente coordenação central, como acontece no caso de estruturas hierárquicas. Prossegue Almeida (1995) explicando que no cérebro humano não existe conjunto de neurônios responsável pela coordenação do trabalho dos outros neurônios. Cada neurônio exerce autonomamente sua função a partir dos sinais recebidos e envia sinais para os à sua frente.
Hoje, organizações policiais têm excesso de informações em vez de carências. Existe grande quantidade de conteúdos, relatórios de investigação, laudos técnicos, depoimentos, ocorrências, inquéritos, o que obriga o setor de Inteligência a realizar uma tarefa de seleção mental intensa. A Inteligência Policial dispõe de sistemas informatizados que permitem acessar uma ampla variedade de bancos de dados, acesso a um imensurável volume de informações, decorrentes de interceptações e movimentos bancários, sem considerar o vasto material informativo na Internet. Apesar de tudo isso, muitos sentem que estão mal informados.
Os analistas e investigadores freqüentemente suspeitam que o conhecimento que desejam existe em algum lugar. O que lhes falta é uma maneira de acessar o ambiente de conhecimento e identificar os tipos específicos de conhecimento, tanto interna quanto externamente. Nesse contexto, é preciso é criar uma organização em forma de rede de fluxo de conhecimento, e como o resultado deste processo, contribuir para aumentar a capacidade da investigação criminal.
Segundo Paldony e Page (1998), uma rede é uma coleção de atores que estabelecem relações de troca de longo prazo, e que ao mesmo tempo, não possuem legitimidade e autoridade para arbitrar e resolver disputas, que podem ocorrer durante a troca. Composta por diferentes atores (pessoas, organizações, empresas etc.) que interagem entre si, a rede possui interações que não se dão em momentos únicos, mas são repetidas ao longo do tempo, configurando um determinado padrão. Esses relacionamentos caracterizam trocas de informações, experiências, recursos etc., ou seja, a cada interação algo é trocado. Os agentes destas trocas mantêm um razoável grau de independência formal entre si.
Comentam que o processo de gestão de conhecimento em organizações, num ambiente em rede, tem dois objetivos:
• Disseminar e distribuir informações e o conhecimento através dos atores que compõem a rede, disponibilizando o conhecimento em todos os pontos da rede onde será utilizada para eficácia do negócio;
• Permitir um processo colaborativo e integrado para a geração de conhecimento de forma multidimensional para visão do contexto e de forma global por toda a organização.
Princípios da Organização em Rede
O fluxo interativo de informações na organização é uma confirmação recíproca do estado de relação de comunicações entre pessoas, grupos e setores que geram significado e conhecimento global. Este sistema pode ser representado pela figura do texto, onde um modelo de organização policial com seus elementos de inteligência interagem como malhas de conexão num ambiente em rede, semelhante a um cérebro com suas propriedades essenciais. Cada nó de interação na rede representa uma unidade policial (neurônio) que gera informações sobre o crime e dissemina o conhecimento novo em tempo real para toda a organização (investigadores ou setores que necessitam da informação).
Para explicar as características do modelo em rede de conhecimento, a metáfora do hipertexto é considerada a fim de confirmar o modo sistêmico de processos e verificar os princípios que configuram uma associação lógica do funcionamento (LEVY, 1993):
a) Princípio de Metamorfose. A rede está em constante construção e renegociação, pois o fluxo de comunicação favorece seu constante desenvolvimento e estabilidade pela composição e permanente movimento de atores envolvidos;
b) Princípio de Heterogeneidade. Os nós e conexões da rede são heterogêneos. É composto de varias fontes de informações e conhecimentos e o nível de interação entre todos os componentes e o processo de comunicação não é uniforme;
c) Princípio de Multiplicidade. A rede se organiza de forma que qualquer conexão pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede, e assim por diante, ao longo de uma escala maior. Em efeitos de propagação do conhecimento, gera capacidade de uma Inteligência distribuída por toda a organização;
d) Princípio de Exterioridade. A rede não possui unidade orgânica. Seu crescimento e diminuição, sua composição e recomposição dependem de fatores indeterminados. Pode haver adição de novos órgãos, interação com outras fontes de conhecimento e conexões com outras redes;
e) Princípio de Topologia. Tudo funciona por proximidade e conexão. O curso dos acontecimentos e o fluxo de conhecimento ocorrem de forma síncrona. Tudo trafega na rede em conjunto, de acordo com o processo evolutivo da rede como um todo;
f) Princípio de Mobilidade dos Centros. A rede não tem centro, ou melhor, possui permanentemente diversos centros, onde a informação e o conhecimento percorrem todos os nós, distribuindo ao redor de uma ramificação infinita de pequenas raízes. O centro está em todo o lugar da rede.
As organizações em rede são geradoras de processos cognitivos (aquelas com potencial de aprender, onde ocorrem processos constitutivos de aquisição de conhecimentos). Ela faz uma operação distribuída da informação, proporcionando uma memória que armazena informações, assimila conhecimento novo adquirido pela organização e disponível para ser recuperada e utilizada em decisões em qualquer ponto. A aprendizagem vem por consequencia, capacitando pessoas e setores a compreender e agir eficazmente com inovação de procedimentos. Na forma de conexões entre um grande número de elementos, a comunicação operacionaliza a função de executar a soma das entradas e saídas, além de executar uma conversão do conhecimento. Assim a rede se apresenta como um modelo semelhante a um cérebro e a suas interconexões, com funções de processamento do conhecimento na organização, aumentando o raciocínio (capacidade de resposta) para os problemas de ordem funcional e no ambiente em que atua.
ALMEIDA, F. C. Novo Modelo Organizacional Baseado no Cérebro Humano. Revista de Administração. São Paulo. V30, n.1, p.46-56, janeiro/março. 1995.
LEVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Editora 34. 13ª Edição em 2004. São Paulo. 1993.
MORGAN, G. Imagens da Organização. Editora Atlas. São Paulo. 2006.
PALDONY e PAGE, 1988, Annual Review Sociology, 24, pp. 57-76, 1998. Disponível em: http://www.embsig.gpi.ufrj.br/pdfs/artigos/. Acesso em 17/10/2006.